crítica ao Horácio

02/01/2010 – 10:00

Por luiz horacio

Os esquerdistas que me desculpem, mas não se pode usar um extremismo desses para fazer a crítica responsável da esquerda. A esquerda ainda tem problemas enormes, graves e atávicos (que ressurgem do vazio do tempo, do nada). São as estratificações do pensamento, as formas de raciocíonio, as tendências sociais que levam a certas posturas e a certos padrões de valores e comportamento. Tem muita coisa boa, diga-se de passagem, mas está demonstrando nos últimos anos no Brasil que infelizmente manteve adormecida muita coisa ruim. É por aí que se abre uma crítica consistente, nem “anti-esquerda”, nem “anti-direita”, mas uma crítica. O problema é a resistência a melhorar nos pontos que precisa melhorar, a redundância nas limitações, a negativa de evoluir e o apego a jogos de poder ultrapassados, retroativos. As alternativas se abrem, a meu ver, mais pelo equilíbrio e pela diversidade, e jamais pela radicalização ou pelo enorme sectarismo (atitude primitiva para a complexidade do séc. 21).

Agora, a história das ações de esquerda são muito diferentes do que a “versão oficial” da esquerda. São muito anteriores à resistência frente ao regime autoritário, essa resistência foi sim instrumentalizada por potências estrangeiras da Guerra Fria (tanto os EUA quanto o URSS e China), espalhando-se pelo mundo todo, e houve planos e ações sistemáticas e persistentes para se derrubar o regime capitalista brasileiro e latino-americano e se implantar – pelo nome atual que se dá hoje – ditaduras comunistas de esquerda, com todas as barbaridades que isso causou nos países em que foram implantadas. Não é folclore, é fato, e algumas páginas da história brasileira contam muito bem esses movimentos, ao longo de todo o século 20. Havia planos e projetos, houve várias tentativas, e a coisa foi pra valer.

Mas o que deve preocupar mais são as tendências atuais da esquerda, essa é a crítica mais necessária: a mania de politizar simplesmente tudo, de radicalizar questões de funçôes e cargos públicos, claramente instrumentalizando o Estado brasileiro, a leniência e a negativa de enquadrar “companheiros” que porventura desrespeitem a lei de alguma forma, e, mais recentemente, na deriva para da esquerda para o centro, após chegar ao poder (um movimento natural), a incorporação das práticas anti-democráticas, de favoritismo, clientelismo e de corrupção que a esquerda tanto combatia na política “burguesa” e no tempo dos coronéis. Mas está trilhando em parte o mesmo caminho, neste viés político.

O custo para o país e para a sociedade é gigantesco, capaz de causar refluxos e até retrocessos nas conquistas que se conseguiram até agora. As regras e normas de convívio, as instituições sociais e mesmo a normalidade democrática estão em risco por causa da atitude de algumas lideranças da esquerda, e de alguns de seus aliados. E mesmo a saúde econômica pode acabar tendo reveses, por causa das limitações, ou falta de limites, da política atual.

A esquerda (e a direita) precisam evoluir, para que a política brasileira possa avançar, para que a democracia em consolidação seja fortalecida.

E, para provar que não sou “anti”, mas “pró” coisas boas, o que destacaria de positivo em um projeto sério de esquerda, naqueles que todos os observadores sérios diriam que são os compromissos da esquerda, os seus valores básicos em uma democracia contemporânea?

1 – Começando do começo, a esquerda no Brasil começou tentando moralizar as concorrências públicas, dando regras claras ao empresariado em geral, que pareceu gostar disso. Isso deveria ter prosseguido.

2 – A preocupação com a moralização da coisa pública, o combate aos desmandos, desvios e abusos, a negociação com líderes políticos tradicionais para que passassem a adotar valores e práticas mais atualizados. Isto também começou, mas parou no meio do caminho. O meio do caminho…

3 – O combate sistemático à desigualdade, e isto significa, a luta cívica, social e política para que a sociedade aceite destinar mais recursos ás políticas sociais, como segurança, educação, saúde e transportes. Também começou a fazer isso, mas apenas em alguns pontos, e de forma muito tímida, não da maneira maciça como a educação e a reciclagem profissional, por exemplo, precisariam.

4 – A recuperação das instituições como os esquerdistas clássicos – e sérios- as denominavam: as instituções do Estado burguês, ou simplesmente as instituições burguesas. A esquerda fez um ótimo trabalho inicial para dar mais funcionalidade e efetivamente às instituições existentes, frente à degradação do continuísmo tradicionalista e clientelista que a direita brasileira sustentava. Mas…

5 – Compromisso com a transparência e a participação. Começou muito bem, foi o que projetou a esquerda e os movimentos populares de modo democrático no Brasil, sem querer “derrubar” o regime capitalista, nem eliminar a burguesia e implantar a “ditadura do proletariado”. Foi um sucesso tão grande que alterou até o comportamento do mundo empresarial, da mentalidade que vigorou ate então no mundo corporativo, democratizando e ampliando as concepções produtivas. Mas começou a ser instrumetalizado pela ambição pessoal de algumas lideranças, e também pela disputa interna dos grupos. Mais ainda, passou a ser um “instrumento interno” de estruturas partidarizadas, em vez de ser uma instituição real da população de um bairro ou de uma cidade. Uma pena…

6 – A preocupação social. Este é o último bastião intacto da esquerda, e deve-se preservar a qualquer custo, ou mudar a orientação para a direita e o centro de uma vez. Ela está em risco? Está, o foco atual está muito voltado para os mega-negócios, para o progresso material tradicional (que é muito bom), só que ao fazer isso o espaço para as preocupações sociais diminui, e este é ainda o setor mais necessitado da cultura brasileira.

7 – Mesmo no mundo desenvolvido e “capitalista” da Europa, Estados Unidos e Japão, a preocupação social é mais efetiva que aqui. Por lá todos sabem que o futuro depende muito e diretamente do “capital humano”, ou seja, que o grande peso da produção de riquezas irá se concentrar no preparo dos cidadãos. Esta é a fronteira que pode unir pontualmente na diversidade a esquerda e a direita, trabalhando por um mundo melhor, de mais respeito e de menos conflitos.

Autor: luisnassif – Categoria(s): Sem categoria

Comentário Crítico

pelamordideus, “houve planos e ações sistemáticas e persistentes para se derrubar o regime capitalista brasileiro e latino-americano”. Em que planeta tu vives, Horácio? Você acreditou nisso? E o que aconteceu de “facto”, interessa? O artigo está eivado de uma tucanice dissimulada, de má fé ou simplesmente ideológica e não serve nem uma visão crítica de direita porque não confronta o governo Lula com o projeto liberal, defunto ambulante execrado por todos em público, porque nos particular o Serrabaixo, Aócio Never e outros o defendem com unhas, dentes e grana. O artigo atende menos ainda a uma crítica de esquerda da condução macro econômica esquizofrênica da política cambial do Meirelles e fiscal do Mantega e da reforma agrária cartorial. Ao invés, o artigo lista uma série de abobrinhas pra provar que não é anti-esquerda, mas é traído nas conclusões, “Isso deveria ter prosseguido.”, “O meio do caminho…”, “de forma muito tímida”, “Mas…”, “Uma pena”, “o meganegócio é muito bom mas diminui a preocupação social. Pra concluir a pérola “Esta é a fronteira que pode unir pontualmente na diversidade a esquerda e a direita, trabalhando por um mundo melhor, de mais respeito e de menos conflitos.” Como o “seu” Nassif tem censurado as minhas críticas contudentes, “mas” respeitosas, estou colando esse comentário no meu blog, junto com o artigo do Horácio.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s


%d blogueiros gostam disto: