A conta que será cobrada de Lula – Nassif artigo e comentário publicado por não ter passado na censura. Por que foi?

03/03/2010 – 07:54

A conta que será cobrada de Lula

Em seu improviso, ontem, em Sorocaba, Lula soltou uma definição precisa do seu governo. Descobriu que a economia se faz com simplicidade, sem firulas, sem volteios. Simplesmente porque percebeu que não havia relações causais automáticas entre “lição de casa” e crescimento. Desenvolvimento é trabalho diário e pertinaz, removendo os entraves ao crescimento.

Recentemente conversei com um ex-Ministro do governo Lula. Ele me contava o modo de trabalho do presidente – aliás, desde os tempos de presidente do PT.

Não tem cansaço para a discussão. Pode passar horas discutindo uma medida, ouvindo argumentos, pedindo explicações. Só se impacienta com papo furado.

Seu método de avaliação é simples: 1) É viável? 2) Que benefícios traz para o país? 3) Quais os riscos? Com esse método, mais a rapidez para captar detalhes, quase sempre consegue encerrar a discussão com a melhor proposta. Quando não está suficientemente convencido, remarca a reunião para dali a alguns dias.

Provavelmente desde Geisel não aparece um presidente que se envolva tanto com todos os pontos de seu governo – sendo que o Brasil de Geisel era muito menor e mais simples que o de Lula.

Foi graças a esse objetividade e à busca permanente de resultados, que Lula foi conseguindo se desvencilhar – ainda que lentamente – de todo o aparato ideológico que sustentava o imolibismo das políticas públicas. Constatou, primeiro, a importância do equilíbrio fiscal. Mas, na crise, se deu conta que excesso de rigor fiscal mata o crescimento. Entendeu a importância da pró-atividade na política econômica, assim como a importância das empresas públicas em casos específicos – sem incorrer em estatização generalizada. Em suma, sintetizou o ideário de um centro-esquerda não dogmático que a era FHC liquidou no PSDB. Graças à crise conseguiu aplicar na política econômica uma versão do sindicalismo de resultados.

Por tudo isso, é incompreensível o imediatismo, a falta de visão de futuro, com que trata a questão cambial.

O que matou o PSDB foi a constatação, anos depois, dos malefícios do neoliberalismo exacerbado de FHC. Enquanto se produziam os desastres do primeiro governo, não se cuidava da auto-crítica, dos ajustes. Lembro-me de artigos meus, em 1998 ainda, percebendo alguns avanços que ocorriam e preevendo: a política cambial liquidará com o governo FHC.

O mesmo acontece agora, mas de uma forma mais nociva, porque, ao contrário do desastre da gestão Gustavo Franco, agora a apreciação cambial se dá de uma forma consistente, graças à formação de um amplo colchão de reservas cambiais e ao fato do Brasil ter se tornado o pato da vez da alta liquidez internacional. Fechou-se espaço para o Sr. Crise se manifestar e corrigir rapidamente os desmandos do câmbio.

Daqui a alguns anos, o legado de Lula incluirá obras importantes e irreversíveis, como a massificação das políticas sociais, o trabalho da Fazenda, evitando a crise, a manutenção da responsabilidade fiscal, o pacto federativo embutido no PAC (Programa de Aceleração do Crescimento).

Mas contabilizará, também, a enorme irresponsabilidade da política cambial e os efeitos sobre a desindustrialização brasileira.

O déficit de informação no país permite que analistas – como esse «professor de Deus» – manipular dados, efetuar duplas contagens, assim como fez com as contas paulistas, para negar a desindustrialização.Para tanto, basta contabilizar como produção nacional equipamentos importados e revendidos por empresas nacionais.

Só que Lula não tem o álibi da ignorância. Ele se escora, mensalmente, em reuniões com dois dos economistas mais atentos a esse desastre: Delfim Netto e Luiz Gonzaga Belluzzo. Então, qual a razão de permitir esse estrago, que compromete o futuro do país ireversivelmente – na medida em que tira competitividade da indústria nacional em um momento crucial, em que a China avança vorazmente sobre mercados antes ocupados pelo Brasil?

Daqui a alguns anos, quando esses números estiverem mais claros, a história irá debitar essa conta ao governo Lula – como debita, hoje em dia, a estagnação e a desindustrialização dos anos 90 ao governo FHC.

Autor: luisnassif – Categoria(s): Sem categoria

A quem interessa o câmbio valorizado? Para o exportador é que não é, para cada dólar exportado ele recebe menos de dois reais. Ai que saudade do câmbio em que o dólar valia quatro reais.
Para a indústria dirigida para o mercado interno, menos ainda, porque está concorrendo com produto chinês a preço de … produto chinês.
Então, por que, krai, o real está sobrevalorizado?
Elementar, porque o Meirelles assim o quer, digo, o “mercado”, um distinto Senhor dono de quase tudo num país que está em 10º lugar em desigualdade de renda, de trás pra frente. No tempo do FHC, estava em 3º lugar, perdia para a Libéria, Reino da Suazilândia e um outro que esqueci.
Então vamos parar de botar a culpa no Lulinha, quem manda aqui é esse Senhor e foi pra ele que foi escrita a Carta aos Brasileiros, lá no início do primeiro mandato do Lula, em que o câmbio bateu nos quatro dólares pra cada real e o Mário Garnero convidou todo mundo (com grana) a dar linha.
Como diz o velho ditado fascista, manda quem pode, obedece quem tem juízo.
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