O mito da cerveja má

Originalmente publicado na Semana do Leitor do Brejas:

Autor: Márcio Rossi

http://www.brejas.com.br/blog/24-03-2010/o-mito-da-cerveja-ma-5222/

A vez da cerveja caseira
No início, era pura diversão. Agora, o passatempo doméstico começa a ganhar ares profissionais
Rafael Sento Sé
Ismar Ingbe

Sérgio Fraga: experiências na cozinha resultaram em bebida com bom potencial de venda

Não parece, mas fabricar cerveja na cozinha do apartamento é mais fácil do que se imagina. Basta ter à mão os apetrechos necessários e frequentar um curso de noções básicas. A parte complexa é conseguir, em casa, uma bebida de sabor minimamente equilibrado – o que exige um bom tempo de prática na manipulação de grãos, extratos e leveduras. Até isso acontecer, litros e litros da mistura de água, cevada e lúpulo costumam ir direto para o ralo.

Com perseverança e empenho, no entanto, é possível chegar a uma fórmula que não faça má figura diante das similares vendidas nos supermercados cariocas e das marcas consagradas. Foi o que aconteceu com o analista de sistemas Sérgio Fraga. Em seu processo de aprendizado, ele acabou sendo expulso da cozinha pela mulher e teve de se contentar com um fogareiro instalado na área de serviço. Mas a persistência valeu a pena. Em parceria com um sócio, ele acaba de montar uma pequena fábrica em Vargem Grande, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, com capacidade para produzir 6 000 litros da bebida por mês. Feita de grãos de trigo, a Fraga Weiss junta seu sobrenome à variedade alemã escolhida. “Foram cinco anos até chegar lá”, diz.
Ambiciosa, ameta de Fraga é repetir a trajetória trilhada por alguns de seus pares no exterior, gente que começou a produção artesanal como passatempo e hoje ganha a vida assim. Nos Estados Unidos, a fabricação doméstica tem 20.000 adeptos, e o mais impressionante é que, juntos, eles já respondem por quase 10% do mercado americano. Por aqui, os números são bem mais modestos: teríamos 900 aficcionados, 100 deles instalados no Rio. O crescimento, porém, é constante. Apenas no ano passado, 120 pessoas frequentaram as aulas promovidas pela Associação dos Cervejeiros Artesanais (Acerva), que ministra os cursos na cidade. E pelo menos 10% declaram a intenção de levar a brincadeira a sério. “Durante anos os brasileiros só tiveram acesso ao tipo pilsen. Há uma demanda reprimida por outras variedades”, explica Leonardo Botto, diretor da entidade.

Além da natural curiosidade exercida pela bebida, a procura pelo curso pode ser explicada pelos baixos custos iniciais. Para se tornar um cervejeiro amador, o desembolso para adquirir um kit básico sai por menos de 630 reais (veja o quadro). Outro fator de atração é o processo de fabricação. Relativamente simples, a produção demora em média cerca de oito horas, incluindo aí moagem dos grãos, fervura, filtragem, resfriamento e limpeza do material utilizado. A mistura fica então guardada na geladeira por duas semanas. Concluída a primeira etapa, o líquido é acondicionado em garrafas, onde a fermentação prossegue até que o mestre-cervejeiro decida parar. Depois, basta beber – e conferir se algum dia o hobby pode se transformar em bom negócio.

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