Os franceses, o sexo e o casamento segundo Montesquieu

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PAULO NOGUEIRA 14 DE JULHO DE 2012 COMMENTS (2)

Olímpia, de Manet

Em 1721, o célebre político, filósofo e escritor francês barão de Montesquieu publicou um romance epistolar chamado Cartas Persas. É uma troca de cartas entre personagens persas que viajam pelo Ocidente. Numa dessas cartas, Montesquieu  traça um retrato primoroso do amor à francesa, em contraposição aos costumes muçulmanos. Ao ler o livro, Camila Nogueira, minha caçula, teve a idéia de selecionar frases de Montesquieu que fazem rir e pensar, e que têm uma atualidade extraordinária. Clap, clap, clap para Montesquieu, e para Camila.

 

 

 

Os franceses quase nunca falam de suas mulheres; é que receiam tratar delas diante de homens que podem conhecê-las melhor do que eles próprios.

 Há aqui alguns homens muito infelizes, que ninguém consola: são os maridos ciumentos. Há pessoas a quem todos detestam: os maridos ciumentos. E, finalmente, há indivíduos que todos desprezam: os maridos ciumentos. Por isso mesmo, não há país em que eles sejam em números tão pequenos quanto a França.

 A tranquilidade dos maridos não se funda, porém, numa confiança que acaso tenham na virtude de suas mulheres, mas, ao contrário, na má opinião que formam a seu respeito. Na França, os maridos aceitam sua má sorte de bom grado, e consideram as infidelidades como uma sina inescapável. Um marido que pretendesse ser o único a possuir sua mulher seria tido como um perturbador da alegria pública, como um insensato que almejasse gozar da luz do sol em detrimento dos outros homens.

Na França, um marido que ama a esposa é alguém que não tem mérito o suficiente para conseguir o amor de outra mulher; que abusa do império da lei para suprir sua própria falta de encantos; que se aferra a suas vantagens pessoais prejudicando a sociedade inteira; que efetua uma apropriação indébita do que só lhe foi confiado em depósito, e usa de todas as forças para destruir a convenção tácita que assegura a felicidade dos dois sexos. O título de marido de mulher bonita, que na Ásia ocultamos com tanto cuidado, aqui se exibe sem maior preocupação: cada um se sente capaz de fazer as incursões que quiser em território alheio.

 Não se desaprova na Europa o homem que costuma tolerar as infidelidades de sua mulher; ao contrário, louva-se sua prudência.

 Não é que não haja damas virtuosas na França. Há. Mas são, todas, tão feias que só um santo não odiaria a virtude delas.

Quando os franceses prometem a uma mulher amá-la sempre, supõem que ela também lhes esteja prometendo sempre merecer ser amada; se ela falta à palavra, não se sentem obrigados a respeitar a sua

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